quarta-feira, 13 de julho de 2022

Cara e coroa

 Disparidade,

Desigualdade.

Humanidade que valora 

Em valores diferenciados

Humanos equivalentes.

Uns valem mais,

Outros menos.

A depender da cor da tez,

Do ponteiro da balança 

Ou do saldo bancário. 

Precifica 

E justifica

Pela oferta do mercado 

E pela procura.

Identidade, 

Na verdade

É só um rótulo. 

No fundo,

Se não formos iguais

Não valemos o mesmo.

Lei de oferta 

E procura.

É loucura,

Mas é o que conta

E, no final das contas,

Iremos todos para a vala

Ou pelos ares.

Seremos pó. 

Só,

Nada demais.

A valer cara e coroa,

São facetas desiguais.

O "cara" 

Frente à "coroa",

Nesse jogo

Vale mais.

Vanda Felix 





quarta-feira, 6 de julho de 2022

Imperativo

 Fala...

Deixa ecoar 

Pelo ar

O que te incomoda.

Quero ouvir de tua boca

O que te aflige

Coração e alma.

Fala...

Liberta-te das correntes

Que te aprisionam.

Quebra as algemas,

Joga longe a mordaça. 

O peso que carregas

Não é fardo teu.

Divide.

Soma forças, 

Subtrai rancores

E multiplica tua autoestima. 

Faze-te bonita por fora

Tanto quanto és por dentro.

Quero a luz do teu olhar,

O brilho do teu sorriso

E o som do teu riso solto

De volta.

Agora!

terça-feira, 24 de maio de 2022

Outrora

 *Outrora*

advérbio

em tempos passados; no passado, antigamente.

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Antes, orelhões comunitários, fichas telefônicas, filas gigantescas.

Da vida de cada um, sabia-se um pouco.

Escuta,

Escuita, 

Ouve, 

Assunta...

Ouvia-se um lado da prosa e o outro, a mente criava...

A imaginação viajava e a fofoca se espalhava...

E os "trotes", então?

Gostávamos fichas e mais fichas (depois, os créditos no cartão, que, depois de "zerados", viravam itens de coleção) para pregar peças e nos divertir com o desespero, do outro lado.

"Alô, por obséquio,  a senhora trabalha com roupas?"

"Não,  meu 'fio'... Sou dona de casa. 'Cê' deve de ter ligado errado!"

"Ah, entendi! Quer dizer que a senhora trabalha pelada?"

Marcávamos encontros aos quais nunca íamos... Vendíamos terrenos na Lua. Tudo por gozo, por zoação. 

E as campainhas, então? 

Apertar e sair correndo. Ouvir, já longe, e em segurança,  os bravejos do incauto morador que saíra para atender a ninguém. 

Não houvesse campainha, batíamos palmas. 

Era divertido, mas não era correto.

Hoje, tenho essa dimensão e carrego certo remorso.

Coisas que a idade nos traz: nostalgia e arrependimentos. 

São histórias, que nos sirvam de aprendizado e que sirvam às novas gerações. 

O passado não se reescreve.  Mas, é  sempre possível nova leitura, reflexão profunda, evolução. 

Hoje, bateu-me esta nostalgia... Faria diferente? Também não sei.

Sei do meu hoje. Sei do que me tornei, forjada no sofrimento,  no sentimento,  na inocência e na diversão,  a partir das coisas simples, como tomar banho de chuva, na volta da escola, escorregar no barro das ruas de terra batida (em que nem se cogitava a possibilidade do asfalto).

Éramos felizes e sabíamos (só não sabíamos do vazio de um mundo cheio de coisas e possibilidades que viria depois)...

Vanda Felix




domingo, 24 de abril de 2022

Sombras da noite

A luta do dia,

Do mundo real

Se estende para além dos meus sonhos,

Me desperta do sono,

Traz à tona lembranças 

(Penosas, pesadas)

De um universo alternativo,

Em que o sofrimento é superlativo

E a angústia me sufoca...

Uma gota de lágrima me afoga 

E a dor explode no peito,

Rompe a passagem da garganta 

Mas represa minha voz.

O grito fica preso,

A dor é apenas mais um peso

Que tenho que suportar.

Estou presa nesse universo,

Medonho, sombrio e frio,

Sem saída 

E sem socorro

Que me chegue em hábil tempo,

(Antes disso, eu morro)

De medo e desespero, 

Com sensação de impotência 

Diante do inimigo impalpável, 

Mas, concreto

E tão real

Que habita dentro de mim...

A luta do dia,

(E todo dia é de luta)

Contra o tempo,

Contra tudo,

Contra mim mesma.

São as sombras da noite,

Sobras de memórias remotas,

Sob uma lente distorcida,

Fragmentos de uma vida,

Retalhos mal-costurados

De mal-vivida existência. 

Vanda Felix




quinta-feira, 24 de março de 2022

Mais que palavras

 Mais que palavras


💕____(✿◠‿◠)___💕



Palavras

Que me assaltam a paz do sono.

Fogem-me à boca,

Calam-se ante a realidade.

Palavras

Que traduzem meus pensares.

Revelam e desnudam 

Meus recantos

Mais íntimos. 

Entregam, na bandeja prateada,

Minha alma,

Já cansada,

De sofrer e de lutar.

Palavras,

Nem sempre tão sinceras,

Tantas vezes tão severas,

Também sabem acarinhar. 

Podem elevar a autoestima, 

Fazer mulher

A menina,

Fortalecer e construir.

Mas também têm o poder

De derrubar um colosso,

Corromper, fazer ruir.

Que palavras de ânimo e força 

Sejam constantes em nossa boca, 

Façam-nos evoluir.

Que sejam mais que vocábulos avulsos,

Termos sem conexão, 

Que façam sentido aos ouvidos,

Que sejam a voz do coração.

Vanda Felix






quarta-feira, 23 de março de 2022

Escultura

 Escultura


Modelei tua face no barro

Que ficou, após a chuva passageira

(Tão efêmera quanto você).


Queria ter para sempre

Teu rosto na minha lembrança. 

Mas, o sol forte do verão 

Trincou teu rosto, 

Fê-lo caco,

Depois, pó, 

Depois, nada...


De concreto, nada ficou.

Apenas a memória, 

Ainda viva,

De tua imagem,

Da tua sonoridade,

Do teu cheiro

Em minhas mãos.


Mãos que te cuidaram

Carinhosamente,

Em instantes que somente

Tinhas a mim, por companhia,

Te zelando, noite e dia,

Com afeto, sem cobranças 

E te guarda na lembrança 

Como dádiva divinal.

Vanda Felix




sábado, 19 de março de 2022

Solemar Sol e Mar

 Solemar Sol e Mar



O Sol colore

A vida,

Lá fora...

Aqui, dentro,

Aspirando cinzas,

Meu coração chora...

O colorido desbotado, 

Captado

Por meus olhos.

Céu cinzento,

Ar fuligem...

Devaneios,

Vertigem.


Mas o Sol,

A despeito do meu mundo 

Interno,

Meu particular

Inferno,

Segue iluminando, 

Colorindo,

Fazendo lindo

O mundo em que vivem os outros...

Não eu. 

Vivo em meu próprio mundo, 

Meu caos pessoal,

Sem sol,

Sem luar,

Sem chuva mansa,

Ao final da tarde,

Sem vento 

A mover o ar.

Sem o bater das ondas

A meus pés, 

No eterno ir-e-vir do mar...


Meu mundo obscuro,

De eterno breu,

Tão escuro;

Nele não enxergo

A beleza iluminada,

Alardeada,

Em prosa e versos

Cantada

Por todos.



Embaçam-me os olhos, 

Teimosas lágrimas. 

Pesadas, grossas,

Salgadas,

Amargas

(Como as águas do mar).

A despeito do Sol,

Que, à minha revelia,

Lá fora, brilha

E segue iluminando 

Os dias:

Os seus,

Os meus,

Os nossos.

Será que posso,

Dele tomar posse, também?

Cruzar o limite

Que divide

O meu mundo e o seu.

Nele ainda há meu lugar?

Vou devagar, 

Aprendi a não ter pressa,

Preciso sair dessa

Condição de isolamento, 

Ação,  prática 

E não lamento.

Mãos à obra

Em lugar de "Mãos ao alto",

Desço do meu salto

E calço as sandálias da humildade,

Quero entender minhas verdades

E não somente aceitar...

Retorno às minhas origens,

Retorno ao meu lugar,

Onde o Sol aquece as almas

E nunca deixa de brilhar,

Mesmo que pesadas nuvens

Teimem em lhe ocultar,

Mesmo que pesadas lágrimas, 

Teimem em rolar por minha face,

Ofusquem a claridade 

Do dia

Que se anuncia

Após a tempestade,

No final do arco-íris 

(Vim buscar meu pote de ouro!)

Vanda Felix




quarta-feira, 16 de março de 2022

As moedas do Vovô

 *As moedas do Vovô*



Numismática. 

Palavra enigmática

Da qual meu avô nunca soube

(Nem quis saber,

Que eu saiba)

A significação. 

Era um homem de atitude,

E, também,  muita visão, 

Mas não se apegava ao valor econômico 

Do tesouro, que tinha nas mãos. 

Numa época em que se teorizava 

Ele partia para a ação. 

Tinha uma coleção de moedas, 

Que muito me fascinava, 

Não, pelo valor financeiro,

Mas, pelo que representava. 

Ele as guardava com zelo

Numa caixinha bem antiga,

Redonda e preta, com um espelho.

Moedas de várias épocas 

E materiais diferentes.

Ouro, prata, bronze, latão, 

Nacionais e estrangeiras,

Redondas e sextavadas,

Com efígies variadas.

(Algumas, muito das estranhas!)

Mas, cada qual com uma história, 

Um "causo", que ele contava

Com graça e convicção. 

Creio, até,  que exagerava!

E eu ouvia, a tudo, atenta,

Saboreando cada palavra.

Ah, que saudades que sinto

Das tardes que, com ele passava,

De quando me buscava na escola,

E das cantigas que entoava...

Mas, o tempo é implacável, 

E o levou para outro plano.

Bem cedo, ainda,  partiu,

Deixando imensa lacuna.

E a caixinha de moedas,

Que eu tanto admirava,

Perdeu-se nas brumas do tempo,

Ficando, apenas na memória 

Dos meus dias de menina,

Em que Vovô contava as histórias 

De cada moeda guardada

Como registros de época,

A época em que fui mais feliz,

Pois tinha, sempre, comigo,

O meu Vovô Felizardo, 

Homem alto, sério,  austero,

Mas de um coração de ouro

(Não, de prata, nem de latão)

E um sorriso tão sincero,

Que reverbera no espaço 

E no tempo, " 'inda inté hoje"!

Acredito,  tornou-se anjo,

E me guarda, lá,  de cima,

Mesmo eu, já sendo grande,

Guardo em mim, a mesma menina 

Que amou,

E ainda ama e espera

Meu Vovô, que está distante,

Vivendo n'outra esfera,

Mas, morando em meu coração! ❤ 

Vanda Felix 







Curiosidade


No dicionário, o termo "numismática” é utilizado para descrever o estudo das medalhas e das moedas. Trata-se de uma ciência antiga, cujo termo deriva do latim “numisma” — que significa moeda —, mas que segue mais atual do que nunca. Prova disso é que o número de colecionadores e de estudiosos não para de crescer no Brasil e no mundo (...)

https://blog.caravelascolecoes.com.br/o-que-e-a-numismatica/#:~:text=No%20dicion%C3%A1rio%2C%20o%20termo%20%E2%80%9Cnumism%C3%A1tica,mais%20atual%20do%20que%20nunca

terça-feira, 8 de março de 2022

O tempo não tolera

Nos braços cruzados

Moram os corpos

Não abraçados, 

Mas, sempre iminentes,

Sempre carentes

De serem alcançados. 


Na boca entreaberta,

O riso não está estampado,

O beijo molhado

Também mora lá  

Como as palavras não ditas,

Que fazem a alma

Ser consumida

Pela dor e arrependimento. 


As mãos,  

Que não se acarinharam,

Ainda têm tempo

De buscar a face

Em que a lágrima sofrida

Do desprezo e do abandono

Teima em rolar.


Mas, ainda, há tempo!

Não se sabe quanto,

Mas você ainda tem tempo!


Busque o aconchego,

O sabor, já quase esquecido,

Do beijo tão desejado,

O conforto das palavras

E a alegria do riso solto,

Enquanto o tempo

Ainda é presente

E não te foge a galope...


Busque a face amada 

Enxugue sua lágrima 

E se entregue à chance

De ser e fazer

Feliz quem te espera.


O tempo não tolera

Atraso e hesitação. 

Fazendo o bem ao outro, 

Você,  também o faz,

Ao seu próprio coração.  ❤ 

Vanda Felix 




segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Seguindo o baile

 *Seguindo o baile*


"Oi, você está bem?"

"Sim, claro! Por que, não?"

A vontade, que me bate

É de responder

Com a verdade:

"Não,  claro, que não!"

Mas, enfim,

Que diferença faria?

Sabemos que essa pergunta,

Na maioria das vezes,

Nos é feita

De modo "pró-forma"

Sem que, de fato a resposta,

Tenha algum interesse, 

Sendo sincera,  ou não, 

Não fará a mínima diferença ,

Nem numa possível empatia,

Por parte de quem a fez,

Nem na resolução 

Do que nos aflige.


Aflição...

Hipertensão...

Depressão...

Solidão...


Seguimos, então, 

Fingindo que está tudo bem...

Conosco e com o mundo!

Seguimos fingindo dar conta 

De todas as demandas,

De quitar todas as contas...


Até que uma hora... 

"Plaft!"

A máquina, que, já não é 

O último modelo da fábrica, 

Quebra!


Quebra

Porque nada é cem por cento perfeito

(Nem nós, humanos,

Pretensamente 

E iludidamente 

Superiores).

Quebra

Porque a carga foi muito maior

Que a capacidade dos nossos ombros.

Quebra

Porque qualquer equipamento 

(Ou pessoa)

Carece de um repouso

E reparos regulares.

Quebra

Porque não é imune

A imprevistos,

Nem a acidentes.

Quebra

Porque até a garantia estendida

Vence.

Quebra

Porque quebra,  ué?

E, agora, o que se faz?


Pensamos que somos únicos,

Insubstituíveis, 

Mas não somos!


Numa possível ausência, 

Outro nome ocupará 

O nosso lugar

Na lista de controles.

Outra data de nascimento 

Indicará a quem serão dados 

Os "parabéns" no aniversário. 

Outra "bunda"

Tomará nosso assento, 

E, por aí afora,

Sem que sejamos,

Sequer, lembrados,

Quiçá,  citados

Nas datas festivas 

Nos anais da família 

Ou da instituição 

Que tomou nosso sangue,

A grandes goles,

Ainda quente...

Mas, agora esfriou,

Coalhou

E não lhes serve para mais nada,

Nem mesmo para referência,

Menos, ainda, para reverência...


Findo o féretro,

Findas as lágrimas, 

Que nos resta?

Nada!

Talvez, mesmo,

Nem lembranças...

Tarde demais para agir.

Nada mais a se fazer...


A máquina quebra...

E não há conserto. 

Jaz  sucata

N'algum canto.

Quebra

Porque é frágil. 

A ferrugem lhe corrói...


Descarte.

Troca.

Substituição. 

Outras virão:

Mais modernas,

Mais tecnológicas, 

Novas,

"Novinhas"...

Mas, também, passarão. 

O ciclo, que não se fecha.

E segue-se com o baile,

Noite adentro,

Vida afora...

Vanda Felix



domingo, 13 de fevereiro de 2022

Nostalgia

 Nostalgia


࿐ꕤ ͜·*˚


Hoje me vi tomada,

De repente,

Pela nostalgia

E reflexão. 

Pensei em lugares que habitei, 

Pessoas que conheci,

Com quem convivi

E nas funções que desempenhei. 

Quem tomou o meu lugar?

Quem ocupou o meu espaço?

Ninguém...

Porque nada, nunca,

Foi, de fato, meu.

Chegou meu tempo

De mudar de estrada,

Dar oportunidade 

A quem,  de chegada.

Deixei o posto,

Sem olhar para trás.

Se sinto saudades?

Demais!

(Mas, não,  arrependimento...)

Cumpri a missão 

À qual me propus,

Não havia razão 

De prolongamento. 

Deixei o lugar

Que, por muito, ocupei,

Sem dele ser dona.

Saudades restaram,

Tão doces lembranças:

Amigos, cantinhos,  

Flores, crianças...

Quem sabe,

Quem veio a assumir

O lugar

Que nunca foi meu,

Não seja alguém 

Que em mim se inspirou?

Sei que deixei um legado,

Sei que fiz coisas boas,

Creio que, nesta vida,

Nada se dê ao acaso, 

Nada se faça à toa.

Fui responsável 

Pela formação de tanta gente,

Ao mesmo tempo em que,

Com eles,

Também me formava.

Dias frios, 

Dias quentes,

As quatro estações, 

Ao longo dos anos se repetindo...

Seguimos evoluindo,

Seguimos adiante,

Ontem, tão próximos, 

Hoje, tão distantes,

Mas, nem por isso, ausentes...

Vanda Felix




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Duplas perfeitas

 


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Café com pão, 

Trilho e trem,

Molho e macarrão. 

Duplas perfeitas,

Como eu e você 

Ou,

Caso queira,

Você e eu. 

Queijo e goiabada,

Azeite com salada,

Eu, você 

E mais nada...

Duplas que se completam,

Olhos que se contemplam,

Mãos que sabem o quê 

E onde encontrar

O que querem. 

Mãos que acarinham,

Mãos que não ferem.

Minhas mãos e as suas...

Quarteto perfeito.

Duo de duplas,

Que se entrelaçam 

Sem culpa,

Na cumplicidade,

De um momento

Só nosso...

Vanda Felix



I


quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Contraditórios

 


Posso deixar de fazer,

Mas não posso deixar de sentir.

Até controlo meus atos,

Mas, jamais,  meus sentimentos.  

Faço cara de "paisagem",

Quando desmorono por dentro.

Sou, fisicamente,  autoimune,

Mas não sou imune

Aos meus pensamentos. 

Sofro, quando sofres,

Faço-me de forte

Para te impressionar.

Carrego a dor latente, 

E ela segue crescente

Dentro de mim.

A alma sangra, 

Enquanto estampa

O sorriso que vês em meu rosto.

Quero que me vejas forte,

Desejo-te sorte,

Saúde,  paz e felicidade.

Mas, na verdade,

Dentro de mim,

Carrego uma dor sem fim.

Quero que me vejam bem,

Sorrio, brinco,

Conto anedotas.

Me faço parecer otimista, 

Quero que persistas 

Sem desistir de viver.

Mas, morro por dentro,

Um pouco a cada dia

E, embora sorria,

Estou a sofrer.

Vanda Felix




terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Insônia

 *Insônia*



Há uma dor no meu peito,

Feito a transposição de uma adaga

Que me atravessa a alma,

Deixando uma ferida profunda,

Viva, 

Sangrenta,

Latejante...

Um vazio

Que não se preenche...

Cai a noite,

Rompe o dia,

Essa tal melancolia

Só faz se agigantar...


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Cada estrela que surge 

Na imensidão da noite escura,

É como a ponta de agulha

Que em cada milímetro de mim,

Faz um novo orifício,

De modo que seja difícil 

Mesmo contabilizar.

São infinitas feridas,

Ao longo da minha vida,

Que resistem a cicatrizar.

Roubam minha paz

A mão desarmada,

Tiram meu sossego,

Estendem a madrugada, 

Que se faz infinita,

Cíclica,

Sombria.

Seguindo ao meu lado

E roubando meus sonhos

Até o raiar do dia

É o tempo marcado

No cruel tic, tac

De um relógio quebrado...

Vanda Felix




Bom-senso

 

Vamos ao que interessa,

Pois todos temos pressa,

Em fazer valer nossas vontades,

Nossos anseios mais íntimos, 

Doam, a quem possam fazer doer...

Entre a paz e a razão,  

Tenho optado pela primeira...

Sou humana,

Imperfeita,

Falha, frágil 

E equivocada.

Pedir perdão, 

Se necessário, 

Não me é humilhação. 

Antes, 

Voto de humildade,  

Caráter reto, 

Liberdade

De ser e deixar de sê-lo, 

Sem vaidade, 

Conforme dite minha consciência. 

Prezo meu bem-estar, 

Mas também o do outro.

Calo-me para não magoar, 

Se o momento é inoportuno, 

Prefiro aguardar, 

Sem, no entanto,  ser omissa.

Antes prudência 

Que rompante.

Assisto a toda a missa,

Antes de proferir meu "amém".

Não sou imune às dores alheias,  

Sejam do corpo

Ou da alma.

Mas pondero

Para não alastrar a ferida.

Se não posso ser antídoto,  

Também não me faço veneno.

Mas, antes de tudo,

Humana:

Falha, 

Fraca, 

Frágil 

E, muitas vezes, 

Equivocada.

Mas, sem compromisso

Com o erro,

Sem pacto com o engano.

Tabulo, 

Mapeio, 

Pondero.

Rearranjo fórmulas, 

Simulo,

Testo...

Não é frieza,  

Tampouco,

Do meu espírito, a fraqueza.

Chamo a isso bom-senso.

Vanda Felix




terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Quando eu tornar aos teus braços



*Quando eu tornar aos teus braços*

Quando eu tornar aos teus braços,
Me receba com carinho.
Em lugar de dúvidas e incertezas,
Demonstre que sentiu saudades.
Prove que o amor declarado,
Cantado aos quatro ventos,
É um amor de verdade.

Quando eu tornar aos teus braços,
Respeite meu minuto de silêncio,
Deixe que role em minha face
A lágrima represada.
Deixe que me aconchegue em seu peito
E que me sinta muito amada.

Preciso de conforto,
Preciso de colo...
Trarei comigo outra bagagem
E possíveis dores novas.
Então,  simplesmente,  me ampare
Até que eu sinta segurança
De me entregar, novamente,
Sem qualquer desconfiança.
Vanda Felix

Retomada

 Há tempos não percorria estas páginas... deu até saudade, agora! É que a vida anda tão atribulada, tão conturbada, que meus hábitos mais re...