sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Em qualquer tempo

Em qualquer tempo,
Se a dor que te corrói
É por demais
Intensa,
Não pensa!
Centra-te no que te vale a pena,
Centra-te no que te recompensa...

Vence
A dor,
A tristeza,
O desamor,
Buscando aquilo
Que compensa.

Cresce!
E faze crescer em ti
Somente nobres sentimentos.
Cultiva sorrisos,
Alimenta ações gentis,
Ignora a ignorância,
O escárnio,
As atitudes hostis.

Em qualquer tempo,
Peneira seus sentimentos,
Aduba a positividade,
Pois tudo que vive requer alimento.
Então, vive
E alimenta-te de felicidade!
Vanda Felix


terça-feira, 12 de novembro de 2019

Agora

E, agora,
O que a gente faz?
Comemora
A desgraça que nos devora?
Ou senta e chora?
Resignados,
Conformados e passivos,
Impassíveis
Diante dos fatos impossíveis
De serem acreditados...
Arregaça as mangas
E põe o pé na estrada,
São muitos os caminhos
Que se apresentam mundo a fora.
Afora isso,
Não há mais nada.
E gora?
Ficar ou ir embora?
Anda,
Que a vida passa
E tudo o que temos
É o instante, o agora.
O passado já passou,
Virou lembrança,
Saudade.
O futuro... Quem o sabe?
É apenas uma possibilidade.
Apenas o presente
Se constitui realidade.
Vanda Felix

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Desfalque

E nós, que temos por hábito
Colecionar pessoas,
Não sabemos lidar
Com o desfalque...
Dói no fundo da alma,
Cada perda,
Cada descarte.
São peças sem reposição,
Únicas e raras
A comporem o mosaico
Dos nossos corações...
Vanda Felix

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Velhas novidades

Os ares não são os mesmos.
Também não são as mesmas as caras,
As cores,
Antes vivas,
Agora desbotadas.
Não são os mesmos lugares,
Tudo novo,
Tudo mudado.
O mundo gira
E ninguém fica parado.
Mas, apesar das caras novas,
Velhos são os hábitos,
Velhas concepções,
Velhos vícios reafirmados.
Cérebros inativos,
Embotados,
Consumindo "enlatados"
Que nos entalam,
Sufocam,
Calam-nos a voz,
Tiram-nos a vez
De uma só vez,
Num susto só.
Novos tempos,
Velhos perigos.
Armadilhas escondidas
Em cada palmo dessa estrada
Sem retorno,
A qual chamamos vida...
Vanda Felix

(Sobre o hoje...)


quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Escoar

Somos um compêndio de histórias várias
Que vivemos,
Vivenciamos
Ou nos contaram.
Antologia ambulante
De narrativas,
Discursos,
Teses acusativas
E arguições defensivas
Que nos constituem em páginas rascunhadas,
Rabiscadas,
Arrancadas,
Revisadas,
Reescritas,
Relembradas.

Somos o que herdamos...
Somos o que vivemos...
Somos o que sentimos.
Quebra-cabeças confuso,
Desafio insolucionável,
Teorema improvável.

Na somatória dos dias,
Que nos constitui e nos desfaz,
Caminho sem volta.
O tempo que segue,
Consigo nos leva,
Mas não nos devolve,
Sequer regurgita:
Mastiga e engole.

Seguimos...
Ora vendados,
Ora atentos,
Seguimos em frente,
Olhar adiante,
Sempre avantes,
Seguimos.

Sem volta,
Sem a menor segunda chance.
Escoamos
Feito as areias do tempo,
Por entre os dedos da vida.
Feito água, escoamos.

Compondo histórias,
Buscando memórias,
Remotas lembranças,
Que não tornam mais.

Viver e escoar,
Esvair-se,
Acabar-se.

Finda o tempo
Ao fim do tempo
Que foi-se
E junto do qual
Fomos...
Vanda Felix


terça-feira, 5 de novembro de 2019

Responsa

Às vezes, bate o desejo de me ausentar de tudo,
Buscar um outro mundo,
E começar de novo.
Jogar fora meus rascunhos,
Passar a borracha nos erros,
Tentar novos acertos.

Mas, e o tempo que me resta?
Será ele suficiente?
O mundo todo está doente
E não há fórmula que o cure.

Não se fecham as feridas,
Latentes, tão doloridas,
Fendas fundas
Tão sangrentas.

Desejo fechar meus olhos
E "desver" tudo o que vi,
"Desviver" o que vivi,
""Des-sentir" o que senti.

Talvez, me ausentar de tudo,
Seja uma grande cilada,
Não traga resposta pra nada,
Nem me livre dos problemas.

Talvez, o melhor seja ficar,
Arregaçar as mangas e tentar
Tornar o mundo melhor.

Às vezes, dá medo, fadiga,
Mas, estou pronta pra briga,
Se preciso for brigar...
Não posso, não quero,não devo
Fugir, nem me acovardar...
Vanda Felix


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Anestesia

Quero antecipar o anoitecer,
Antecipar meu sono,
Para não ver,
Não sentir,
Não saber...

Quero cair nos braços de Morpheu,
Entorpecer-me com morfina,
Para não lembrar o que me faz doer,
Para, simplesmente esquecer
Que deixei de ser menina...

Não quero ver,
Não quero sentir,
Não quero lembrar.

Acorde-me ao amanhecer,
Quando o pesadelo acabar.

Preciso de novos ares,
Que me tragam os velhos sorrisos,
Preciso da sinceridade da infância
Iluminando o Paraíso.

Quero apagar,
Anestesiada,
Inebriada
Pela névoa do esquecimento.

Preciso regulamentar meu tempo,
Tirando um tempo para me amar
(Já que tu não mais me amas,
Ou não me amas como me amavas)...

Vou me entregar ao sono profundo
(Ao mais profundo dos sonhos)
Que me leve,
Quanto mais longe
Deste perverso mundo.
Vanda Felix






Retomada

 Há tempos não percorria estas páginas... deu até saudade, agora! É que a vida anda tão atribulada, tão conturbada, que meus hábitos mais re...