quinta-feira, 31 de maio de 2018

Cada um por si




Frio de fim de outono
A farsa passa
Despercebida
A farsa ganha força
Mexe com as vidas
De todos
E todos
Pagam a alta conta
(Que já está impagável há tempos...).
Imóveis,
Estáticos,
Paralisados.
Hipnose coletiva
Histeria descabida.
Corre e pega o que é seu!
É pouco?
Dane-se o outro!
O "cada um por si"
Nunca foi tão por si,
Tão por mim...
Perdemo-nos do "nós",
Atados em nós
De cegos marinheiros,
Que navegam à deriva,
Sem ter porto de chegada.
Ou seguimos pela estrada
De pedregulhos e seichos
Com os pés descalços,
Onde se abrem as feridas.
Que cada um cuide das suas
E que Deus nos cure a todos,
Antes que fiquemos loucos.
Vanda Felix

terça-feira, 8 de maio de 2018

Três gatos

São três gatos 🐈🐈🐈
Folgados...
"Folgatos"!
Quer mais?
Três gatos
Gorduchos,
Levados,
Fofuchos.
Que fazem gatices,
Bagunça,
Arruaça,
Às vezes,
Pirraça...
Manhosos,
Macios,
Um pouco arredios
(Nem sempre confiam).
Mas quando se entregam,
Pedindo um chamego,
São tão carinhosos! 💕
Adoram sossego
Mas são tão
Peraltas,
Moleques,
Travessos.
Mil graças
De graça,
Nos cobram
Carinhos.
Três gatos
Gatuchos,
Danados,
Gatunos,
Que amo demais! 💞
Vanda Felix





domingo, 22 de abril de 2018

Dois tempos




Pessoas em dois tempos...
Um só espaço
E dois mundos,
Um raso,
Outro profundo:
Menino,
De pueril inocência,
Vivacidade e pureza
No olhar;
Idoso,
Da vista castigada,
Vida cansada,
Sem perspectivas ou esperanças.
Como não se perder da criança
E amadurecer na perseverança
E na fé por melhores dias???
Como entender a dubialidade
Da alma do outro,
Se nem a nossa compreendemos
Ou aceitamos?
Como amar ou lutar pelo próximo
Se esquecemos de nós mesmos,
Caminhando a esmo
Nessa estrada sem destino?
Que ao despertar nosso adulto
Não adormeçamos o menino,
Mas que convivam lado a lado,
Em paz, mas não resignados,
Mas curiosos e prudentes...
Há em cada um de nós
Facetas múltiplas.
Que saibamos conviver com elas
Sem esquecer de nossa essência,
Preservando a serenidade
E a pureza da infância,
Manifestas em ações ousadas
E no sorriso de inocência...
Vanda Felix


quinta-feira, 5 de abril de 2018

Lunática


Minhas fotos lunáticas,
Pretensamente Deolíndicas...
Oníricas viagens...
Talvez um dia
(Ou uma noite dessas)
Eu chegue lá
(Ou passe bem perto)!
Quiçá...
Vanda Felix

*Dedicado a Deolinda Nunes

terça-feira, 3 de abril de 2018

Sem perguntas





Te aceito
E tu me aceitas
Sem condições
Ou perguntas.
Somos falhos
Tanto quanto.
Incompletos.
Diferentes.
Somos falhos,
Mas nem tanto...
Somos gente!

Te completo
E tu me bastas
Neste mundo
Indiferente.
Te aceito
E tu me aceitas.
Com amor
E sem perguntas.
Vanda Felix

sábado, 31 de março de 2018

Giremos a chave


Resultado de imagem para girando a chave


De tanto levar porrada na vida,
aprendemos a lutar.
De tanto apanhar,
aprendemo a bater.
Aprendemos a nocautear,
depois de muitos beijos na lona.
Reagimos
ou deixamos de existir.
A fraqueza nos faz fortes.
O fracasso nos ensina a insistir.
São ensinamentos de um mundo
que se rege pela lei da sobrevivência.
É preciso resistir.
É necessário ter paciência.
Proibido desistir.
Por trás de cada porta trancada
há um mistério a desvendar.
Giremos a chave!
O mundo gira
a despeito de nossas náuseas.
Aprendamos a girar com ele.
O olhar voltado para o que deixamos
(lá atrás)
não pode nos compelir ao regresso.
O pé deve se fincar no chão 
(no agora).
A incerteza sobre o que há de ser,
sobre o que há de vir
não pode nos causar o medo.
Deve gestar, em seu bojo, a esperança,
pautada na confiança
de só levarmos o melhor
de nós mesmos e do outro.
Giremos a chave!
Forcemos a porta!
Atrás de cada uma
um universo de mistérios.
Ousemos desvendá-los,
simplesmente girando a chave!
Vanda Felix

quarta-feira, 28 de março de 2018

A volta





   Voltaram todos com seus risos e algazarras contidos... Sufocados, prestes a transbordar.
   Haverá lugar mais adequado a esse transbordo que a sala de aula? Haverá?
   E foi... E transbordaram durante a entrada, a se esbarrarem uns nos outros; ao entrarem em sala e no decorrer das aulas, continuaram transbordando... Esparramaram-se pelo recreio, num transbordo infinito de encher os olhos e a alma. Decerto os burburinhos e gargalhadas, agora libertos, ecoarão por dias, talvez até a completude do calendário em trâmite.
   O zunzunzum me trouxe a saudade dos tempos remotos. Fiz-me nostálgica, por um lapso de tempo...
   Tanta alegria represada, tantas palavras presas, tantas novidades quentinhas de tão frescas, tantos planos, promessas... Agora soltos no ar, migrando de boca a ouvido, voando leves feito aves, levadas pelo vento, feito nuvens de verão.
   E o transbordo de emoções tomou conta de todos os recantos e inundou todos os espaços vazios dos corações saudosos... E a escola se fez festa!
Vanda Felix

Retomada

 Há tempos não percorria estas páginas... deu até saudade, agora! É que a vida anda tão atribulada, tão conturbada, que meus hábitos mais re...