Sou autoimune
E sofro todos os dias...
Sofro com dores,
Que vão e vêm,
Sem motivo,
Sem razão aparente.
Sofro com coceiras incômodas,
Que percorrem meu corpo,
De parte a parte,
Sem que nada as aplaque,
Fazendo sangrar,
Não somente a derme,
Mas também a alma...
Sofro com os risos mascarados,
Com comentários disfarçados
De piadas, de péssimo gosto.
Sofro com conjecturas,
Com suas ideias expúrias,
Permeadas de maldade
E desrespeito.
Sofro mais com seu preconceito,
Por achar que tem direito
De zombar
E maldizer.
Mas tenho pena de você!!!
Preso numa mente tacanha,
De ignorância tamanha,
Que não lhe permite ver o óbvio.
Que não estou tão mais perto da morte
Do que você possa estar.
Você, que teme
E treme
Somente em pensar,
Que possa se contaminar,
No caso de minha mão tocar,
Num simples cumprimento.
Mas, aos poucos vou me tornando
Imune, também à sua ignorância.
De seres toscos, como você,
O que mais quero é distância!!!
Vanda Felix
Caso queiram se informar sobre a questão, segue link explicativo.
https://www.nedai.org/doencas-auto-imunes/#iLightbox[gallery11736]/0
sexta-feira, 16 de março de 2018
quinta-feira, 15 de março de 2018
Tranquilidade e utopia
A noz
Me entala na garganta
E abafa minha voz.
Mas,
Não sei se é noz
Ou amendoim 🥜...
O gosto é bom,
Mas a sensação é ruim.
Noses, na minha dieta,
Sao raras.
O custo é alto,
Sou pobre,
Não posso com
Coisas caras.
Por isso, a dúvida...
Mas algo me sufoca
E não sei o que é...
Será meu medo?
Será meu conformismo,
Ou minha indiferença? 🤔
Algo me sufoca,
Algo me cala...
Mas sigo em paz...
Paz?
Que paz, se o temor me abala?
Não dou um passo
Sem ter consentimento,
Engulo a seco
Meus sentimentos
E deixo de ser eu mesma
Para ser marionete...
Até quando
Isso vai me fazer tranquila?
Não vou sozinha
Nem mesmo até a esquina,
Mas me iludo
Pensando ser livre,
Dentro dessa liberdade
Tão vigiada
Onde cada passo que dou
É monitorado,
Cada suspiro
Deve ser autorizado.
Mas me sinto aliviada
Por me saber ainda viva,
Embora não possa,
De fato viver
A vida que sonhei
Desde a infância...
A vida
Que me permita
Tomar decisões,
Pegar meu filho
Pela mão
E sair a correr
Pelo campo aberto
Atrás de borboletas 🦋,
Não em fuga
De bala perdida
Ou de bala "achada"
No meu peito
Ou na minha testa...
Vanda Felix
Des-humanos
Coisas a serem ditas,
Coisas a serem feitas,
Casos mal-resolvidos,
Vozes que se calam,
No silêncio das mentes
Doentes...
Fatos que abalam
Corpo,
Alma e pensamentos.
Angústia,
Dores,
Lamentos.
Murmúrios abafados
Por medo de que sejam ouvidos,
Mal-entendidos,
Retaliados.
O medo domina a mente,
Paralisa o corpo,
Seca a boca
E cala a voz.
Dá força ao atroz,
Que age,
Sem medo da pena.
Sabe que fica de graça,
Não há nada mais que o faça
Pagar o preço de seu ato.
Tempos de impunidade,
Reino livre de maldades
Contra o fraco,
O pobre o diferente.
Nem se sabe mais
O que é ser gente
Nesse mundo hostil e insano.
Nem sabemos mais quem somos:
Amebas?
Insetos?
Larvas?
Somos qualquer coisa nesse mundo,
Só não somos mais humanos...
Vanda Felix
terça-feira, 13 de março de 2018
Sinal aberto
Levar uma vida normal,
O que é, afinal?
Viver já não é,
Em si,
Um propósito individual?
Logo,
Pressupõe anormalidade,
Individualidade,
Particularidade.
A vida é única,
Não há padrão.
Cada qual tem uma meta,
Uma missão.
Siga regras,
Copie modelos,
Ou desvairie,
Arranque os cabelos...
Seu destino,
Sua história
É você quem escreve.
Sua insônia
É você quem a suporta.
Logo,
Não culpe o outro
Por seus insucessos.
Viva,
Curta,
Sem medos
E sem culpas.
Seja você mesmo
Autor de cada página,
Não entregue ao outro
A caneta
Para escrever suas histórias,
Sejam de amor,
Sejam de aventuras.
Viva,
Ame,
Faça loucuras.
Mas, ouse!
Seja agente,
Mesmo que o final
Destoe,
Seja diferente.
Assuma suas falhas
E seus sucessos.
Dê um passo atrás,
Recue, se necessário.
Isso não é retrocesso.
É reflexão.
Pare,
Repense,
Refaça.
O sinal está aberto para isso!
Arrisque um novo passo,
Mas não culpe o mundo
Por seus fracassos.
Vanda Felix
sábado, 10 de março de 2018
Voltar a ser
Hoje
Quis voltar a ser mulher.
Senti essa necessidade...
Quis me fazer um carinho,
Pra, depois, te fazer um carinho,
Daqueles que deixam saudades.
Hoje
Quis voltar a ser mulher.
Quis me fazer mais bonita,
Embora não me sentisse menos,
Quis dar um "up" na imagem,
E depois, caprichar no charminho...
Hoje
Quis voltar a ser mulher.
Não que tenha deixado de sê-lo,
Mas outras questões me absorveram
E coloquei a vaidade em segundo plano.
Na verdade,
Não voltei a ser mulher,
Pois minha essência esteve intacta.
Não voltei a ser,
Pois nunca deixei de ser,
Apenas resgatei
O que, por momentos não priorizei.
Me entreguei aos meus desejos
Sem medo de ser feliz...
E fui.
E te fiz...
Entreguei-me aos meus caprichos,
Caprichosamente...
Manhosamente...
Sem medo,
Sem dor,
Intensa
E completamente...
A mulher que sempre fui,
Que nunca deixei de ser,
Fez-se viva,
Fez-se presente,
Está presente e há de despertar,
Mais viva,
Mais densa
E mais esperta
A cada novo amanhecer.
Vanda Felix
quinta-feira, 8 de março de 2018
Minha voz
Vim trazer a minha voz
Presa no fundo,
Bem no fundo da alma,
Agitada,
Inquieta.
Mas já foi calma...
Hoje, quer fugir dali...
Vim trazê-la
E dar-lhe a chance
De escapar
Desta prisão.
Vou deixá-la
Livre e solta,
Para ecoar.
Minha voz revolta,
Que se revolta,
Se exalta,
Se exaspera,
Não espera,
Quer se fazer ouvir.
É trinitante
Descompassada,
Mas traz verdades
Aprisionadas.
Palavras presas,
Voz embargada,
Traduz as dores
Do seu presente
E do seu passado.
Voz angustiada,
Sem harmonia,
Faça-se audível,
Tenha ousadia.
Não torne ao fundo
Desta garganta.
Conquiste o mundo,
Cante em cirandas.
Seja denúncia,
Seja ousadia,
Diga o que agrada
E o que angustia.
Faço-te livre,
Não torne ao cárcere,
Liberte a alma,
Vença seus medos.
Seja exemplo
A outras vozes:
Nunca mais cala-te,
Seja estandarte
Das almas fracas,
Fazendo-as fortes,
Por liberdade,
Rompe o silêncio
E desafie a morte!
Vanda Felix
domingo, 25 de fevereiro de 2018
Pollyana
Tranço fios de nuvem
para criar minhas ilusões.
Embaraço os raios de sol,
adormeço trovões
e sigo pela estrada
de calcário cor-de-rosa
até chegar ao arco-íris.
Colho flores de bonança
brancas, rosas e boninas
e distribuo aos desafetos,
seguindo, feliz pela vida,
guiada por belas lembranças
de um passado qualquer.
Sou Pollyana, menina,
sem pressa em ser mulher...
Vanda Felix
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