sexta-feira, 16 de março de 2018

Imunidade

Sou autoimune
E sofro todos os dias...
Sofro com dores,
Que vão e vêm,
Sem motivo,
Sem razão aparente.
Sofro com coceiras incômodas,
Que percorrem meu corpo,
De parte a parte,
Sem que nada as aplaque,
Fazendo sangrar,
Não somente a derme,
Mas também a alma...
Sofro com os risos mascarados,
Com comentários disfarçados
De piadas, de péssimo gosto.
Sofro com conjecturas,
Com suas ideias expúrias,
Permeadas de maldade
E desrespeito.
Sofro mais com seu preconceito,
Por achar que tem direito
De zombar
E maldizer.
Mas tenho pena de você!!!
Preso numa mente tacanha,
De ignorância tamanha,
Que não lhe permite ver o óbvio.
Que não estou tão mais perto da morte
Do que você possa estar.
Você, que teme
E treme
Somente em pensar,
Que possa se contaminar,
No caso de minha mão tocar,
Num simples cumprimento.
Mas, aos poucos vou me tornando
Imune, também à sua ignorância.
De seres toscos, como você,
O que mais quero é distância!!!
Vanda Felix


Caso queiram se informar sobre a questão, segue link explicativo.

https://www.nedai.org/doencas-auto-imunes/#iLightbox[gallery11736]/0



quinta-feira, 15 de março de 2018

Tranquilidade e utopia




A noz
Me entala na garganta
E abafa minha voz.
Mas,
Não sei se é noz
Ou amendoim 🥜...
O gosto é bom,
Mas a sensação é ruim.
Noses, na minha dieta,
Sao raras.
O custo é alto,
Sou pobre,
Não posso com
Coisas caras.
Por isso, a dúvida...
Mas algo me sufoca
E não sei o que é...
Será meu medo?
Será meu conformismo,
Ou minha indiferença? 🤔
Algo me sufoca,
Algo me cala...
Mas sigo em paz...
Paz?
Que paz, se o temor me abala?
Não dou um passo
Sem ter consentimento,
Engulo a seco
Meus sentimentos
E deixo de ser eu mesma
Para ser marionete...
Até quando
Isso vai me fazer tranquila?
Não vou sozinha
Nem mesmo até a esquina,
Mas me iludo
Pensando ser livre,
Dentro dessa liberdade
Tão vigiada
Onde cada passo que dou
É monitorado,
Cada suspiro
Deve ser autorizado.
Mas me sinto aliviada
Por me saber ainda viva,
Embora não possa,
De fato viver
A vida que sonhei
Desde a infância...
A vida
Que me permita
Tomar decisões,
Pegar meu filho
Pela mão
E sair a correr
Pelo campo aberto
Atrás de borboletas 🦋,
Não em fuga
De bala perdida
Ou de bala "achada"
No meu peito
Ou na minha testa...
Vanda Felix

Des-humanos




Coisas a serem ditas,
Coisas a serem feitas,
Casos mal-resolvidos,
Vozes que se calam,
No silêncio das mentes
Doentes...
Fatos que abalam
Corpo,
Alma e pensamentos.
Angústia,
Dores,
Lamentos.
Murmúrios abafados
Por medo de que sejam ouvidos,
Mal-entendidos,
Retaliados.
O medo domina a mente,
Paralisa o corpo,
Seca a boca
E cala a voz.
Dá força ao atroz,
Que age,
Sem medo da pena.
Sabe que fica de graça,
Não há nada mais que o faça
Pagar o preço de seu ato.
Tempos de impunidade,
Reino livre de maldades
Contra o fraco,
O pobre o diferente.
Nem se sabe mais
O que é ser gente
Nesse mundo hostil e insano.
Nem sabemos mais quem somos:
Amebas?
Insetos?
Larvas?
Somos qualquer coisa nesse mundo,
Só não somos mais humanos...
Vanda Felix

terça-feira, 13 de março de 2018

Sinal aberto




Levar uma vida normal,
O que é, afinal?
Viver já não é,
Em si,
Um propósito individual?
Logo,
Pressupõe anormalidade,
Individualidade,
Particularidade.
A vida é única,
Não há padrão.
Cada qual tem uma meta,
Uma missão.
Siga regras,
Copie modelos,
Ou desvairie,
Arranque os cabelos...
Seu destino,
Sua história
É você quem escreve.
Sua insônia
É você quem a suporta.
Logo,
Não culpe o outro
Por seus insucessos.
Viva,
Curta,
Sem medos
E sem culpas.
Seja você mesmo
Autor de cada página,
Não entregue ao outro
A caneta
Para escrever suas histórias,
Sejam de amor,
Sejam de aventuras.
Viva,
Ame,
Faça loucuras.
Mas, ouse!
Seja agente,
Mesmo que o final
Destoe,
Seja diferente.
Assuma suas falhas
E seus sucessos.
Dê um passo atrás,
Recue, se necessário.
Isso não é retrocesso.
É reflexão.
Pare,
Repense,
Refaça.
O sinal está aberto para isso!
Arrisque um novo passo,
Mas não culpe o mundo
Por seus fracassos.
Vanda Felix

sábado, 10 de março de 2018

Voltar a ser



Hoje
Quis voltar a ser mulher.
Senti essa necessidade...
Quis me fazer um carinho,
Pra, depois, te fazer um carinho,
Daqueles que deixam saudades.
Hoje
Quis voltar a ser mulher.
Quis me fazer mais bonita,
Embora não me sentisse menos,
Quis dar um "up" na imagem,
E depois, caprichar no charminho...
Hoje
Quis voltar a ser mulher.
Não que tenha deixado de sê-lo,
Mas outras questões me absorveram
E coloquei a vaidade em segundo plano.
Na verdade,
Não voltei a ser mulher,
Pois minha essência esteve intacta.
Não voltei a ser,
Pois nunca deixei de ser,
Apenas resgatei
O que, por momentos não priorizei.
Me entreguei aos meus desejos
Sem medo de ser feliz...
E fui.
E te fiz...
Entreguei-me aos meus caprichos,
Caprichosamente...
Manhosamente...
Sem medo,
Sem dor,
Intensa
E completamente...
A mulher que sempre fui,
Que nunca deixei de ser,
Fez-se viva,
Fez-se presente,
Está presente e há de despertar,
Mais viva,
Mais densa
E mais esperta
A cada novo amanhecer.
Vanda Felix

quinta-feira, 8 de março de 2018

Minha voz




Vim trazer a minha voz
Presa no fundo,
Bem no fundo da alma,
Agitada,
Inquieta.
Mas já foi calma...
Hoje, quer fugir dali...
Vim trazê-la
E dar-lhe a chance
De escapar
Desta prisão.
Vou deixá-la
Livre e solta,
Para ecoar.
Minha voz revolta,
Que se revolta,
Se exalta,
Se exaspera,
Não espera,
Quer se fazer ouvir.
É trinitante
Descompassada,
Mas traz verdades
Aprisionadas.
Palavras presas,
Voz embargada,
Traduz as dores
Do seu presente
E do seu passado.
Voz angustiada,
Sem harmonia,
Faça-se audível,
Tenha ousadia.
Não torne ao fundo
Desta garganta.
Conquiste o mundo,
Cante em cirandas.
Seja denúncia,
Seja ousadia,
Diga o que agrada
E o que angustia.
Faço-te livre,
Não torne ao cárcere,
Liberte a alma,
Vença seus medos.
Seja exemplo
A outras vozes:
Nunca mais cala-te,
Seja estandarte
Das almas fracas,
Fazendo-as fortes,
Por liberdade,
Rompe o silêncio
E desafie a morte!
Vanda Felix

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Pollyana


Tranço fios de nuvem
para criar minhas ilusões.
Embaraço os raios de sol,
adormeço trovões
e sigo pela estrada
de calcário cor-de-rosa
até chegar ao arco-íris.

Colho flores de bonança
brancas, rosas e boninas
e distribuo aos desafetos,
seguindo, feliz pela vida,
guiada por belas lembranças
de um passado qualquer.
Sou Pollyana, menina,
sem pressa em ser mulher...
Vanda Felix


Retomada

 Há tempos não percorria estas páginas... deu até saudade, agora! É que a vida anda tão atribulada, tão conturbada, que meus hábitos mais re...