domingo, 25 de fevereiro de 2018

Pollyana


Tranço fios de nuvem
para criar minhas ilusões.
Embaraço os raios de sol,
adormeço trovões
e sigo pela estrada
de calcário cor-de-rosa
até chegar ao arco-íris.

Colho flores de bonança
brancas, rosas e boninas
e distribuo aos desafetos,
seguindo, feliz pela vida,
guiada por belas lembranças
de um passado qualquer.
Sou Pollyana, menina,
sem pressa em ser mulher...
Vanda Felix


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O Tempo



O Tempo,
Senhor implacável,
Soberano e perverso.
Também, menino travesso,
Moleque traquina,
Correndo, além das colinas,
À frente
Das saltitantes meninas...
O Tempo,
Que nunca desacelera,
Por nada,
Nem por ninguém espera.
O Tempo,
Que cura as dores
É o mesmo,
Que reabre as feridas,
Traz o esquecimento
E as lembranças queridas.
Traz as perdas,
Muitas vezes, necessárias
E os ganhos,
Nem sempre merecidos.
Brinca com a gente,
Faz-nos tristes,
Faz-nos contentes.
O Tempo é bipolar,
Oscila entre terra e mar.
O Tempo,
Que nos viu nascer e crescer,
Estará conosco
Até o último suspiro,
Até a hora de morrer...
Vanda  Felix



quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Minha dor



A dor que me dói
Não é a mesma que dói em você.
A dor que dói em mim,
É difícil perceber.
Dói no corpo
E reflete na alma.
Minha dor é minha,
Muito minha.
Exclusiva,
Invasiva,
Destrutiva.
A dor que me corrói
Não pode ser por você sentida.
Talvez, imaginada,
Mas nunca dimensionada.
Migra,
Passeia,
Se esconde, às vezes.
Fica latente,
Oculta,
Dormente,
Calada.
Mas viva,
Prestes a despertar.
Por isso, peço-lhe silêncio.
Deixe-a repousar,
Nem que por um instante,
Apenas...
Preciso descansar...
A dor que dói em mim
Não vem da consciência,
Vem da alma.
Mas é física,
É crônica,
Biônica,
Mas não será eterna!
Vanda Felix.

"Você precisa aprender a conviver e aceitar sua dor!"... Ouvir isso de um médico perito, fez me doer a alma!
Não aceito, não me conformo!
Luto contra, desafio... Vou em busca de soluções. Hei de encontrá-las, pois, se ainda não existem, estão perto de se fazerem reais. Sei que estou no caminho. Sei que estamos. Eu e milhares de pessoas que sofrem.
Por isso não apago meu riso, não esmoreço, nem perco a esperança.




segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Libélula



Liberta...
Livre
E bela,
Libélula.
Livre
E leve,
Breve
Como a brisa,
Fulgaz
Como a vida...
Vanda Felix


sábado, 6 de janeiro de 2018

Desmonte



Desmonte
a árvore do último Natal,
no próximo,
ela não será igual,
mesmo que seja a mesma...
Acrescente
um novo ítem,
faça nova organização.
Desmonte,
guarde,
arquive,
renove...
Reinvente
as mesmas velhas coisas,
dê-lhes ares de ousadia,
alimente suas fantasias.
Desmonte,
reoriente,
reinvente...
Tente fazer diferente,
seja você a diferença!
Invista na sua crença,
no seu sonho,
no seu desejo.

Refaça,
reaja,
seja!!!
Vanda Felix

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Diáspora



Um pra lá,
dois pra cá,
três acolá...
Bicho de monte,
colmeia,
formigueiro.
Éramos gente
que não se separava.
Vida que segue
e a gente segue
o destino.
Um pra lá,
dois pra cá,
três acolá.
Em frente,
lá atrás,
lado a lado.
Novos espaços,
outros tempos,
já não tantos abraços.
Vez ou outra
um encontro,
um sorriso.
Nos vemos no próximo casamento???
Talvez eu não vá,
talvez tu não possas,
talvez ele não esteja...
Talvez, no próximo velório...
Um pra lá,
dois pra cá,
três acolá...
Não gosto de adeus,
digo "até já"!
Vanda Felix


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Primeiras letras





Primeiras letras na areia
subiram pelas paredes.
Cacos de tijolo,
carvão,
giz,
chão...
Mesmo assim era feliz!
Registros nas "taubas" das cercas,
no chão de terra batida.
Fui seguindo com a vida...
Na escola, cheguei ao lápis,
grafando forte o caderno
(às vezes, furava a folha!).
Na falta da  borracha macia, 
servia-me do dedo com cuspe...
Palavra, palavrinha,
nada de palavrão
(pois foi nesses moldes
que recebi educação)...
Se errava,
logo corrigia,
mesmo que com um borrão.
A velha Bic companheira,
acompanhava a evolução.
Chegamos à Lettera,
passamos pela Reminghton.
O "tec-tec" melancólico,
de um saudosismo simbólico,
hoje não mais ouvido.
O barulhento "QWERT"
da velha máquina,
deu lugar ao silencioso "TOUCH"
dos ANDRÓIDES.
Silenciaram as batidas,
como silenciaram os amores.
Hoje, tudo é compacto,
cabe na palma da mão,
mas, dentro da pequena tela,
vai guardado o coração,
que,
a um leve toque de dedo,
lhe envio a qualquer distância,
mas trago, trancadas no peito
lembranças da velha infância,
das primeiras letras na areia,
que subiram parede acima...
Vanda Felix

Retomada

 Há tempos não percorria estas páginas... deu até saudade, agora! É que a vida anda tão atribulada, tão conturbada, que meus hábitos mais re...