quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Indulgência

Às vezes, dá preguiça 

De discutir com gente chata, 

De explicar coisas óbvias demais, 

De ler rótulos e instruções. 


Às vezes, dá preguiça 

De tentar convencer o cabeça-dura, 

De mostrar quem somos nós 

 Na fila do pão, 

 De fazer entender, 

Que quando fazemos o bem 

Somos nós os beneficiados. 


Dá preguiça de pedir 

Que a pessoa se ame, 

Mas também ame seu irmão. 

 Que seja tolerante, 

Que aja com prudência, 

Que se cuide, 

Que se zele, 

Que estude... 


Mas, se desejamos algo melhor 

Para nós e para o mundo, 

Devemos, sim, insistir 

E repetir Incansavelmente, 

Como fosse um mantra indiano, 

Até cansar os ouvidos 

E chegar ao coração 

Do teimoso. 

Pois o melhor ensinamento 

É o exemplo do que se pratica. 

Então, não basta, apenas, falar. 

É necessário arregaçar as mangas 

E fazer. 

Fazer sozinho, 

Fazer junto, 

Fazer pela coletividade. 

Por quem está distante, 

Mas também pelo meu próximo. 

Pelos meus, 

Pelos seus, 

Pelos nossos.


Em tempo de descartáveis, 

Sejamos permanentes. 

Em tempo de egoísmo, 

Sejamos solidários, 

Em tempos de ódio, 

Sejamos amor, 

Façamos amor, 

Peçamos perdão 

E saibamos perdoar. 


Desse modo, todos ganham, 

Sem precisar se indispor, 

Sem precisar se maltratar. 

Indulgência é carinho na alma do outro, 

Mas é afago na minha própria. 


Que eu me liberte das tuas culpas, 

Aceitando suas desculpas 

E deixando meu coração mais leve, 

Mais livre, 

Mas disposto ao que se propõe: 

Amar sem amarras, 

Nem barreiras, 

Simplesmente, 

Amar, amando... 

Vanda Felix




quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Onde reside minha paz...🕊

 


Escrevo minha história a lápis:

Revejo, reviso e refaço. 

Recuo, se necessário. 

Vim para a vida

Afim de aprender.

E tenho aprendido,

E tenho crescido.

Sem engodos

Nem trapaças. 

Vou seguindo

Junto à massa,

Mas sem deixar me conduzir.

Escolho meus próprios caminhos,

Defino meu próprio lado,

Sou a dona dos meus passos

E determino meus rumos.

Se tropeço, 

Me levanto,

Respiro fundo e recomeço.

Quando aprendi

A me olhar por dentro,

Me enxerguei por inteiro

E vi o quanto sou gigante

Dentro da minha pequenez. 

Hoje é sim,

E não,  talvez!

Estou certa do que busco

Mas não do que hei de encontrar

E isso já não me assusta mais,

Como assustava no começo, 

Pois sei, exatamente, 

Onde reside minha paz.

Vanda Felix




quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Três tempos

 De onde venho?

De uma infância sofrida,

de lembranças doídas, 

adolescente em conflito.

Mil questões não resolvidas

compuseram o mosaico

a que dei o nome de vida.

Adulta sobrevivente,

inconformada, relutante,

voz ativa, voz passiva

se alternando no dia a dia

para me fazer crescer.

Chegando à maturidade,

hora de viver a saudade

do tempo que já passou...

Sentir saudade, mas seguir em frente,

há um longo caminho, adiante,

que é preciso percorrer.

(Mas, já sem pressa

de chegar).


Para onde vou?

Seguindo rumo ao acaso, 

por caminhos tortuosos, 

onde a incerteza nos espreita.

Se vou à esquerda

ou à direita,

deixo ao encargo do coração,

pautado pelo bom senso,

escolher a direção.

Sei que ele há de me guiar,

garantir meu salvo-conduto,

sem culpa, sem peso,

sem medo, sem luto,

pois este há de ficar para trás.

O que fui,

quem quer que tenha sido,

já não sou mais.

Renasço e floresço a cada dia,

faço da minha própria companhia

meu ponto de apoio e de paz.


Minha paz...

O que me completa

é o que me esvazia, 

o que, de mim, se liberta,

pois liberta minha mente

através de palavras.

Válvula de escape,

estratagema para sobreviver

à loucura

que aprisiona a alma

(se deixarmos),

fazendo-a cativa...

Mas, hoje, sei que estou mais viva

do que era ao nascer.

Vanda Felix




domingo, 7 de novembro de 2021

Aliança

Perdi minha aliança, 

Mas não perdemos o elo 

Do amor que nos une. 


Perdi minha aliança, 

Estava larga no meu dedo. 

Talvez, desatenção de minha parte... 

Eu já tinha esse medo, 

Que, afinal, aconteceu. 


Podes me dar outra aliança? 

Pode ser de capim-dourado, 

Delicadamente trançado, 

 Ou mesmo de cordão de sisal. 

Pouco importa o material 

(Ouro, prata ou lata...) 

Mas o que significa: 

Duas almas unidas, 

Em nome de um amor divino, 

Alimentadas pela Esperança, 

De um amor sideral 

Que supere 

A barreira temporal.

Vanda Felix





domingo, 31 de outubro de 2021

Âncora

Hoje estou 

Especialmente cansada. 

Cansada de dar murro 

Em ponta de faca afiada. 

Cansada de nadar, contra a maré 

E, na praia, morrer afogada. 

Estou, na verdade, sufocada. 

Com um nó gigantesco 

Que se fixou à parede da minha garganta. 

Na verdade, foi minha própria língua 

Que se enroscou, 

Depois de bater contra meus próprios dentes. 

Sinto meus olhos ardentes, 

Minha bochecha enrubescida, 

Estou morrendo aos poucos, 

Afogada pelas lágrimas não caídas. 



Para fugir 

De tal destino 

E amenizar a triste sina 

Apago 

Qualquer rasgo 

De memória, 

Dou fim 

À toda história 

Que me traga sofrimento. 

Guardo em mim 

As coisas boas 

Que vivi, 

As coisas boas 

Que senti, 

Das quais, 

Jamais, 

Me arrependi 

Ou me arrependerei.

São elas o meu consolo

E minha âncora de segurança 

Que restabeleça

Minha esperança 

De que o tempo ruim vai passar...

Vanda Felix






segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Em tempos de paz ou de guerra...

 Ser professora,

mais que profissão,

foi opção para a vida.

mais que ensinar conteúdos,

professor partilha esperanças,

experiências,

vivências

e até emoções.

Ser professor

é aprender a ouvir,

falar na hora certa

e calar, quando necessário.

É entender a linguagem do silêncio,

a melodia das lágrimas

e acolher num abraço

que dissipe a solidão do outro.

É ter a responsabilidade

de se fazer exemplar.

É dar a mão a quem precisa,

olhar para o invisível

e tirar para dançar

aquele que esteja sem par.

Ser professor

é se fazer ouvir

sem gritar,

se fazer entender pelos gestos,

dar voz a quem não fala,

acalmar os exaltados,

entreter, sem ser palhaço,

orientar sem arrogância

e saber esperar no Tempo

o Tempo de cada um, 

seja sob o sol,

seja sob a chuva.

Ser professor

é ato de amor imenso,

mas, também de resistência

'inda mais, nos nossos tempos

de tamanha falta de senso,

onde mais vale um minuto de fama

que uma existência

de bons trabalhos e exemplos.

Em tempos de paz ou de guerra,

não fosse um bom professor,

que seríamos, de nós, nesta terra?

Vanda Felix


N




domingo, 3 de outubro de 2021

Nossa única certeza é uma parada incerta

      A gente espera pacientemente, a gente ora, pede, implora... Deus não nos desampara. Ele sabe de todas as coisas, inclusive, o momento certo de cada um de nós. 

      Sabe o que nos espreita na esquina, sabe de cada passo, de cada gesto, de cada pensamento. Às vezes, a esperança quer fugir pelo ralo. Puxo-lhe o rabo e trago-a de volta. 

     E, assim, vamos seguindo, instante a instante, minuto a minuto. 

      Altos e baixos são constantes, o que gera a inconstância. Antagônico, não? Diria mesmo que é o que torna irônicos nossos destinos. 

     Somos responsáveis por cada ato e pensamento, mas não temos a posse do nosso espaço, nem do nosso tempo. 

     Somos passageiros no trem da vida e sabemos que, num momento qualquer, haveremos de fazer o desembarque. 

     Em qual estação? Não nos cumpre determinar. Nosso bilhete não traz tal informação. Então, sigamos, tirando proveito do vento fresco que entra pela janela, das companhias que se sentam ao nosso lado, das paisagens que podemos vislumbrar... 

     A vida é isso. Uma viagem só de ida para uma parada incerta. E aqui estamos, porque aceitamos o desafio de nos aventurar rumo ao desconhecido.

Vanda Felix




Retomada

 Há tempos não percorria estas páginas... deu até saudade, agora! É que a vida anda tão atribulada, tão conturbada, que meus hábitos mais re...