sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Sem não-me-toques

 Sem não-me-toques

me toque.

Me pegue no pulo,

se jogue

sobre meu corpo

sem medo.

Seu peso

não pesa

tanto quanto

minha pálpebra

cansada.

Me apalpe

com as pontas dos dedos

dos pés

e das mãos.

Sem não-me-toques

me toque.

Me pegue.

Talvez, eu me entregue.

Talvez, diga não!

Vanda Felix




quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Tua dor

 Tua dor me dói.

Sangra em mim

Tua ferida.

Arde em minha retina

A luz que fere os olhos teus.

O sal do teu suor

faz queimar a minha pele.

Tua alma geme,

A minha escuta.

Teu coração se agita,

O meu acelera.

Reage!

Foge!

Grita!

Mas não se entregue,

Resista.

A dor não é infinita,

Enxergue a beleza da vida

Que se expande

Para além do teu entorno.

Estou contigo.

Te sinto,

Te entendo.

Aceite minha mão

E venha comigo.

Dá-me tua mão,

Permita-me ajudar-te a erguer-te...

Vanda Felix




terça-feira, 6 de outubro de 2020

Flor



 Flor

É poesia pura!

Jamais deveria

Ser rima para dor.


Flor

É a a manifestação

Do que há de mais puro belo,

Seja no mais singelo campo

Ou no jardim de um castelo.


Flor

E pura poesia

Que se manifesta aos olhos

Dos que cultivam o Amor

Em todas as horas do dia.

Vanda Felix

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Crueza

 Ferem-me de morte, 

Sem desferir um golpe 

Contra meu corpo. 

Matam minha alma 

Através de palavras, 

Injúrias, 

 Quimeras... 


 Ferem-me de morte 

 Através do desprezo, 

Do desdém de minhas dores, 

Da banalização do que sinto, 

Dos medos que tenho 

Guardados comigo. 


 Sem dó, nem piedade,

 Pisoteiam, 

Do alto de seus saltos agulha, 

Meus sentimentos, 

 Meu coração frangalhado, 

 Surrado, 

 Sofrido, 

Despedaçado. 💔 


 Abro mão de vontades,

 Desejos e possibilidades 

 Para não me fazer ausente. 


 Oculto meus planos, 

De mim mesma, até, 

 Para não ferir, Não magoar, 

Não ser arrogante. 


 Em vão... 

Meu dias se vão,

 Junto com os sonhos meus,

 Dos quais abro mão 

 Em nome do amor. 


 Um amor não amado, 

Sem dó, desprezado, 

 Que ama sozinho. 


 Amor melindroso,

Omisso,

Medroso,

E que, sozinho

E silenciado

Findará os seus dias, 

Na casa vazia 

De vida e calor.

Vanda Felix

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Decepção primaveril

 A Primavera, toda vaidosa, 

Feito adolescente ansiosa,

Vinha na ponta dos pés 

Para não incomodar.

(Não sabia o quanto era esperada!)

Bateu, delicadamente,  à porta,

Aguardando que alguém a atendesse

E convidasse para entrar.

Era, de fato, aguardada,

Mas, na bagunça da casa,

Não lhe reservaram um lugar.

Vendo o caos e a desordem,

Decepcionada,

Virou-se de costas

E, copiosamente, 

Pôs-se a chorar...

Vanda Felix





terça-feira, 15 de setembro de 2020

Herança

 A dor não me domina,

nem determina

meu destino.

Por mais dilacerante,

lancinante

e intensa,

que se apresente,

meu corpo sente,

mas a cabeça pensa:

"Há saída, 

há esperança!"


Por maior que seja meu vazio,

ser vazia

Não é minha escolha.

Não me recolho

à minha bolha

enquanto o mundo

explode, lá fora.


Faço 

o que posso

e julgo correto,

faço

 o que é certo

e sei que consigo,

segundo minha consciência

e intuição.. .

Não julgo,

não condeno,

não destilo

meu veneno.

Atravesso 

pela faixa,

e caminho

na calçada, 

cumprimento a todos,

sou educada. 


Faço 

o melhor que posso.

Desço e subo

pela escada,

se não houver 

outra opção. 


Faço uso

dos direitos

de usufruto 

do que pago.

Nada peço, 

nada pego 

sem pedido

de concessão..


Insisto,  no que valha a pena

e seja benéfico 

à minha alma

e ao meu coração. 

Não desisto 

à primeira brisa,

nem à  leve lufada de vento,

mas respeito 

a Mãe Natureza,

a força do furacão. 


Não subestimo

meus inimigos,

nem me atiro 

aos braços do perigo.

Sou previdente, 

mas com ousadia.

Vivo o hoje,

vivo o dia

sem qualquer precipitação.


Reconhecendo meus limites,

busco contorná-los,

dando a volta

pelo outro lado.

E, nessa ida e volta, 

persisto

até esgotar minha energia.


Essa persistência, 

que muitos chamam

teimosia,

aprendi com meus pais,

que dos meus avós aprenderam

para sobreviver 

às agruras do dia a dia.

Não é capricho,

não é soberba:

é herança

perpetuada, 

transmitida

a cada geração.

Muitos chamam "costume",

a isso eu chamo "Educação".

Vanda Felix





quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Vai-se...

 




Vi o Tempo dobrar a esquina,

Sem ao menos olhar para trás,

Sem, sequer, um aceno

Que denotasse que voltaria.

Foi e me deixou para trás, 

Perdida nas lembranças 

Que ele mesmo criou...

Passou por mim, 

Num sopro suave de outono,

Mas fez com que as folhas caíssem. 🍂

O Tempo, esse senhor insensível,

Não cultiva sentimentos. 

Não se apega aos momentos,

Sejam bons, ou sejam ruins.

Vai-se,

Sem olhar para trás 

(Nem num furtivo soslaio).

Vai-se, 

Impiedoso e decidido, 

Sem medo do arrependimento. 

Dobra as esquinas da vida

E nos deixa em qualquer parada

Parados,

Paralisados,

Imóveis.

Vai-se 

Sem culpa,

Sem bagagem,

Sem peso.

Vai-se, 

Enquanto ficamos pelo caminho,

Perplexos por sua ousadia e coragem

Em seguir adiante 

À nossa revelia

E a despeito de nossos anseios.

Vanda Felix



Retomada

 Há tempos não percorria estas páginas... deu até saudade, agora! É que a vida anda tão atribulada, tão conturbada, que meus hábitos mais re...