quinta-feira, 14 de junho de 2018

Manhã preguiçosa


Abro os olhos,
Bocejo,
Espreguiço.

Vejo teu corpo lânguido, estendido.
Vontade de ficar,
Mas não posso

A manhã se estende preguiçosa.
Mesmo ela tem preguiça de acordar.
Embalada pelo som da chuva mansa
Despeço-me da cama,
Obrigada a levantar...
Vanda Felix


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Na minha casa



Na minha casa
Eu posso tudo
Me mascaro,
Visto,
Dispo,
Me transmuto.
Falo alto,
Fico mudo.
Sou quem sou,
Sou quem quero.
Sem rodeios,
Sem poréns.
Lá eu posso ser sincero.
Minha casa
Me aceita
Com meus limites,
Minhas loucuras.
A casa é minha
E não me censura.
Sou quem sou,
Sou quem quero.
Sem limites,
Sem frescura.
Lá ninguém me diz
Que não posso ser feliz,
Porque a felicidade incomoda,
Desaloja,
Desloca.
Desacomoda
Quem tem preguiça
De tentar...
Vanda Felix


quinta-feira, 31 de maio de 2018

Cada um por si




Frio de fim de outono
A farsa passa
Despercebida
A farsa ganha força
Mexe com as vidas
De todos
E todos
Pagam a alta conta
(Que já está impagável há tempos...).
Imóveis,
Estáticos,
Paralisados.
Hipnose coletiva
Histeria descabida.
Corre e pega o que é seu!
É pouco?
Dane-se o outro!
O "cada um por si"
Nunca foi tão por si,
Tão por mim...
Perdemo-nos do "nós",
Atados em nós
De cegos marinheiros,
Que navegam à deriva,
Sem ter porto de chegada.
Ou seguimos pela estrada
De pedregulhos e seichos
Com os pés descalços,
Onde se abrem as feridas.
Que cada um cuide das suas
E que Deus nos cure a todos,
Antes que fiquemos loucos.
Vanda Felix

terça-feira, 8 de maio de 2018

Três gatos

São três gatos 🐈🐈🐈
Folgados...
"Folgatos"!
Quer mais?
Três gatos
Gorduchos,
Levados,
Fofuchos.
Que fazem gatices,
Bagunça,
Arruaça,
Às vezes,
Pirraça...
Manhosos,
Macios,
Um pouco arredios
(Nem sempre confiam).
Mas quando se entregam,
Pedindo um chamego,
São tão carinhosos! 💕
Adoram sossego
Mas são tão
Peraltas,
Moleques,
Travessos.
Mil graças
De graça,
Nos cobram
Carinhos.
Três gatos
Gatuchos,
Danados,
Gatunos,
Que amo demais! 💞
Vanda Felix





domingo, 22 de abril de 2018

Dois tempos




Pessoas em dois tempos...
Um só espaço
E dois mundos,
Um raso,
Outro profundo:
Menino,
De pueril inocência,
Vivacidade e pureza
No olhar;
Idoso,
Da vista castigada,
Vida cansada,
Sem perspectivas ou esperanças.
Como não se perder da criança
E amadurecer na perseverança
E na fé por melhores dias???
Como entender a dubialidade
Da alma do outro,
Se nem a nossa compreendemos
Ou aceitamos?
Como amar ou lutar pelo próximo
Se esquecemos de nós mesmos,
Caminhando a esmo
Nessa estrada sem destino?
Que ao despertar nosso adulto
Não adormeçamos o menino,
Mas que convivam lado a lado,
Em paz, mas não resignados,
Mas curiosos e prudentes...
Há em cada um de nós
Facetas múltiplas.
Que saibamos conviver com elas
Sem esquecer de nossa essência,
Preservando a serenidade
E a pureza da infância,
Manifestas em ações ousadas
E no sorriso de inocência...
Vanda Felix


quinta-feira, 5 de abril de 2018

Lunática


Minhas fotos lunáticas,
Pretensamente Deolíndicas...
Oníricas viagens...
Talvez um dia
(Ou uma noite dessas)
Eu chegue lá
(Ou passe bem perto)!
Quiçá...
Vanda Felix

*Dedicado a Deolinda Nunes

terça-feira, 3 de abril de 2018

Sem perguntas





Te aceito
E tu me aceitas
Sem condições
Ou perguntas.
Somos falhos
Tanto quanto.
Incompletos.
Diferentes.
Somos falhos,
Mas nem tanto...
Somos gente!

Te completo
E tu me bastas
Neste mundo
Indiferente.
Te aceito
E tu me aceitas.
Com amor
E sem perguntas.
Vanda Felix

Retomada

 Há tempos não percorria estas páginas... deu até saudade, agora! É que a vida anda tão atribulada, tão conturbada, que meus hábitos mais re...