quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Meu conto de fadas



Cá estou,
criança mimada,
a chorar, desconsolada,
a perda do dileto brinquedo...
Cá estou,
pobre criança,
a chorar, sem esperança,
que voltes a acalmar-me os medos...
Onde andas, meu caubói?
Cansaste de ser meu herói,
que me resgatava, em segredo,
do mundo escuro e traiçoeiro
em que ninha alma prisioneira,
esperou-te a vida inteira?
Na pele, ficou tua marca,
para sempre tatuada,
por todo o corpo, teu cheiro...
No coração, para sempre gravado,
teu nome, em ouro bordado;
na boca, o sabor dos teus beijos,
que despertaram-me do profundo sono,
em que vivia, antes de ti...
Depois de desfeito o encanto,
esqueceste-me a um canto,
e me condenaste ao abandono...
Vanda Felix


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Lembranças e sonhos




Ao lembrar-te
ou sonhar-te,
sorrio...

Minhas lembranças são vivas,
sentidas,
sensíveis,
sensitórias,
sensitivas...

Meus sonhos contigo são reais,
carnais,
por demais,
surreais...

Meu desejo por você é ardente,
indecente,
insistente,
"caliente",
intenso o suficiente
para alimentar-me na espera
de que lembranças e sonhos
não me tragam apenas sorrisos,
mas me levem ao paraíso
oculto nos braços teus...
Vanda Felix




domingo, 11 de janeiro de 2015

Suas palavras



Ler suas palavras
é quase como ouvir sua voz:
"me dá" forças,
"me dá" esperanças...
Energiza meu espírito,
para que eu não desista da espera,
de poder voltar a ter você,
a senti-lo,
a amá-lo,
inundando seu ser de carinhos,
afagos,
carícias...
Delícias de instantes roubados
da árdua rotina cotidiana,
que nos sufoca,
nos afasta,
nos faz separados,
embora nunca esquecidos
do calor
e do sabor
um do outro...
Vanda Felix



Ilusões do tempo



Quantas histórias cabem num dia?
Do amanhecer
ao poer do Sol...
Quantos sonhares comporta uma noite?
Quantas esperanças,
quantas lembranças?
Uma semana, para nós, desapercebida,
é eternidade, na expectativa da criança...
Um segundo pode encerrar uma vida,
trazendo à tona uma dor dolorida,
que nem em um ano será esquecida.

O tempo não para,
às vezes, nos foge,
em outras, demora...
Tempo é ilusão,
passado não volta,
futuro é incerteza,
o que conta é o agora,
                       o hoje,
                       o presente...
[que nos é dado todos os dias!].
Vanda Felix




sábado, 10 de janeiro de 2015

Eternas saudades



Dar-te-ia um presente, hoje,
mas, não mais posso fazê-lo
[por mais que queira],
porque não mais estás conosco,
não em matéria...
Então, em lugar do presente,
ofereço-te uma prece,
em que rogo à Deus
que estejas bem
e que zeles por nós,
que aqui ficamos
embebidos na saudade
de teu riso,
teus gestos,
tuas palavras,
teus pequenos mimos...
Aos poucos, a dor lancinante
cede espaço às doces lembranças,
que serão eternas,
suaves,
cada vez menos doídas...
a nos acompanhar por todos os dias
que nos restarem nesta vida...
Vanda Felix
(31/12/2014)




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Vício diário




Na última vez em que nos despedimos,
no momento de tua partida,
fizeste-me a promessa do retorno
[até hoje não cumprida...].
Acreditei em tuas palavras,
que sempre me foram sinceras,
embora não te tenha esperado na manhã seguinte 
[pois não te esperava ser tão breve...],
mas uma após outra, 
em todas as manhãs
que se sucederam...
e ainda espero!
Vivo a esperança de que tornes leve
meu amanhecer tão solitário,
nesse meu vício de esperar-te, diário...
Espera vã,
esperança vã...
Teimosia?
Paralisia?
Não!!!
Quem sabes não me venhas...
                                                                      ... amanhã?
Vanda Felix



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Eclipse



Solitário, astro-rei,
soberano, onipotente...
Ilumina nossos dias,
e, sem a menor cerimônia,
mas com graça e ousadia,
invade nossas vidas,
sem aviso ou permissão, 
aquece-nos o coração...
Observa-nos, de longe,
surpreende-se,
surpreende-nos...
Vez ou outra, se esconde,
dá a cara, no horizonte.
Vai-se embora, 
ao fim da tarde...
Em seu lugar, 
deixa as estrelas,
a cuidarem da bela Lua,
sua amada,
às vezes nua...
Encantadora
e desencantada,
suspirando, apaixonada,
pelo Sol,
que tanto ama...
Em meio a tal elipse,
sem esperanças de encontrá-lo,
a não ser nos fortuitos,
furtivos,
raros e breves eclipses...
Assim somos eu e tu,
talvez menos tu que eu,
passo dias e noites a esperar-te,
na ilusão de que sejas meu...
Vanda Felix





Retomada

 Há tempos não percorria estas páginas... deu até saudade, agora! É que a vida anda tão atribulada, tão conturbada, que meus hábitos mais re...